Na pista a noite antecipava: corpo a céu aberto se jogando. Em carne viva tentava ser.
Peixe no Mar. Rede na vida. Em movimentos de aproximação/repulsa contrai-se em conchas. Perante a possibilidade de um olhar acontecer: Corpo fechado. O corpo é, e sendo, timidamente desfila contando histórias. Dilata valises.
O corpo existe: por si basta... Corpo contido... Corpo carbono.
Engravidou de um grave estado de vida que não tem mãe nem pai, apenas é.
Estranha coisa. Viva. Amorfa. Que precisa destruir o útero que a ampara.
Engravidou de morte viva.
Em grave e dando saiu pelas ruas devolvendo ao mundo o prazer mórbido que a havia contaminado.
Estranho imaginar-se moribundo? Perigoso sê-lo.
Quantas irmãs haviam se engravidado da semente maldita que dar luz a morte?
Pensou em vão. Caminhou horas a fio tentando desparecer a alma. Mas Ele estava em tudo. Nela. Na rua. Nas janelas dos prédios. Dentro dos carros. Nos mictórios. Nos cinemas. Nos hospitais. E no Lar.
Lar era a coisa contida. O desejo oprimido que sempre negara.
Um homem que fosse seu. Pai. Filho. Irmão mais velho. Amigo. Amante. Mas que fosse sem se preocupar que fosse. Sem lhe culpar por assim ser.
Quantas vezes jogou-se pelas ruas a procura desse homem que pudesse ser seu. Que soubesse acalmar seu desejo. Sem interpretá-la mal. Que comungasse desse sei lá o que a consumia em noites de solidão.
Esbravejando saiu pela rua ainda anestesiada do choque.
Simplicidade e devoção.
9 years ago

4 comments:
Querida boneca , vc é maravilhosa, inteligente e escreve muito bem, admiro-te imenso. beijos
MADAME MI DEITADA NOS LENÇOIS DE 1500 FIO EGIPCIOS DA TRUSSY, BEBENDO CHA EM UMA XICARA DE PORCELANA DA COMPANHIA DA INDIAS, APOS PERCEBER QUE UMA DE SUAS TAÇAS DE CRISTAIS DA BOHEMIA HAVIA SUMIDO E NAO SOUBERA O QUE ACONTECEU. ELA ADORA O CHEIRO DO PERFUME DA L´OCCITANE NOS LENÇOIS E A SUA PELE AMACIADA PELO CREME DA VICTORIA SECRET.
PARA JU A BONITA VOCE É TUUUUUDO
Madame Mi espera o cha em sua chaise longue no final de tarde apreciando o por do sol da varanda do Chateau Souverain Moulin à beira mar. O chá é servido em uma porcelana chinesa que pertenceu a uma familia de shaolins por sua empregada Zulmira de aparencia impecável, porte digno de uma lady. Fica imaginando como será o inverno quando as pastagens sao cobertas pela neve. Ela sabe que a Boneca Má adora o inverno e espera ansiosa pela visita de uma pessoa tao inusitada.
BONECA MÁ NAO PERCA SEU HUMOR, AMEI PASSAR O FDS C VC.... ME DIVERTI MUITO E RENOVEI MINHAS ENERGIAS.
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