A Boneca Má amanheceu exausta de tanta espera. Mais um concurso para Miss Beleza! Embora fosse a escolhida entre suas três melhores amigas. Ela não se sentia merecedora do amor do homem impossível nem desejada o suficiente pelo homem sem rosto.O tempo mais uma vez competia com a angústia terrivelmente sentida. O terreno viçoso onde sua ausência de beleza foi construída não deixava escapar as marcas de seu tédio, de seu desgosto. Evidencias de uma performatividade tardia esbanjavam na performance de seu corpo, de seu sexo e de seu olhar: o excesso.
Esforço para suprir a falta de tudo pelo avesso. E assim aprendeu a sentir aversão ao tempo. Não suportava a espera . E assim, sem dasaviso, desenvolvia estratégias de sobrevivência para o pior momento: o último.
O último adeus, o último toque, o último cheiro, o último tic-tac não lhe assustavam mais. O barulho dos carros, a velocidade do trem, o anonimato, a falta de delicadeza já não mais lhe importunavam, nem o estrangeiro.
Mas ela só tinha agora a possibilidade de um penúlimo momento onde pretendia usar todas suas virtudes e suas faltas de virtudes para eternizá-lo. Vale! vale! Vale!
Esperava como prêmio obtido obter mais tempo com o homem sem rosto e ficar mais junto do homem impossível. Mas isso era outra coisa da qual ela não gostava de falar. Ela era medrosa. Tinha medo de não saber amar e de assim sendo de não conseguir o amor destes homens.
Era ai onde investia seu quase-tudo a ponto de ficar lisa e nua: sem palvras, sem gestos.
Mas a sua amiga Madame Mi naquela noite havia ido ao circo e lhe contava coisas de como rir com a tristeza humana. Era ai onde, sobe o olhar invasivo de seu público, a Boneca Má esforçava-se para não parecer desencessária. Ela já sabia, só precisava sorrir, dizer palavras inventadas, e acreditar que era possível.