Entregue a si mesma. Descobrira um mundo interno completamente diferente do que pensara ter.Tudo havia mudado de perspectivas e com ela um novo horizonte se rompia. Era inverno!
Havia o frio atravessando a casa . Pela janela era possível revisitar cenas que se passaram, que se repetiram, que se foram. Foi quando ela chorou sem chorar. A chuva caia silenciosamente-mente.
.A única vez que se olhou sentiu arrepios. Era ingênua e absolutamente vulnerável , completamente discrepante para o mundo que havia construído como refúgio. Muitas estações se passaram. Muitos olhos partiram. Muitos foram os homens que morreram. E ela agora despertara viva em meio ao acervo roubado e suas roupas estilizadas.
Acendeu um cigarro e saiu de casa. A chuva era mais uma cena que havia passado. Só, ela percebia que as coisas não ditas são coisas sabidas.
Tinha hábitos anti-civilizatórios. Aprendeu no decorrer do tempo a não ter medo do sol, nem temer as tempestades. Conviveu com príncipes e beijou ratos. Descobriu e guardou somente para si o segredo dos astros... mas nada era para ela mais encantador do que mirar seu projeto de felicidade do fundo do prato, ainda que fosse extremamente perigoso. Pouco sabia sobre os mortos, mas interpretava com destreza o desejo dos vivos à distância.
Sim. Ela disse sim. Ela gritou sim. Ela não cabia mais no seu metro. Ela Já não era mais ela. Agora ela era a multidão. Com as malas prontas e seu cachorro a tiracolo.
Novas cartografias seriam desenhadas e outros sonhos explorados.
