Na pista a noite antecipava: corpo a céu aberto se jogando. Em carne viva tentava ser.
Peixe no Mar. Rede na vida. Em movimentos de aproximação/repulsa contrai-se em conchas. Perante a possibilidade de um olhar acontecer: Corpo fechado. O corpo é, e sendo, timidamente desfila contando histórias. Dilata valises.
O corpo existe: por si basta... Corpo contido... Corpo carbono.
Engravidou de um grave estado de vida que não tem mãe nem pai, apenas é.
Estranha coisa. Viva. Amorfa. Que precisa destruir o útero que a ampara.
Engravidou de morte viva.
Em grave e dando saiu pelas ruas devolvendo ao mundo o prazer mórbido que a havia contaminado.
Estranho imaginar-se moribundo? Perigoso sê-lo.
Quantas irmãs haviam se engravidado da semente maldita que dar luz a morte?
Pensou em vão. Caminhou horas a fio tentando desparecer a alma. Mas Ele estava em tudo. Nela. Na rua. Nas janelas dos prédios. Dentro dos carros. Nos mictórios. Nos cinemas. Nos hospitais. E no Lar.
Lar era a coisa contida. O desejo oprimido que sempre negara.
Um homem que fosse seu. Pai. Filho. Irmão mais velho. Amigo. Amante. Mas que fosse sem se preocupar que fosse. Sem lhe culpar por assim ser.
Quantas vezes jogou-se pelas ruas a procura desse homem que pudesse ser seu. Que soubesse acalmar seu desejo. Sem interpretá-la mal. Que comungasse desse sei lá o que a consumia em noites de solidão.
Esbravejando saiu pela rua ainda anestesiada do choque.
Simplicidade e devoção.
9 years ago
